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Setembro Amarelo nas Empresas: Como Ir Além do Discurso?


Como transformar o Setembro Amarelo em ações reais? Descubra o impacto da saúde mental nas empresas e como ir além do discurso.

O alerta que o Setembro Amarelo traz para as empresas

O Setembro Amarelo, mês conhecido por promover a prevenção ao suicídio e o cuidado com a saúde mental, é também uma oportunidade para as empresas refletirem sobre o papel que exercem na vida emocional das pessoas. Essa pauta vai muito além de posts com frases de efeito ou laços amarelos: é a hora de agir com intencionalidade e responsabilidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que mais de 15% das pessoas adultas em idade produtiva enfrentam transtornos mentais em algum momento da vida. No Brasil, os números são alarmantes: somos o país com a maior prevalência de depressão da América Latina e também lideramos os índices de transtornos de ansiedade na região.

O trabalho representa uma parte significativa da vida adulta — em tempo, identidade e impacto emocional. Ignorar sua influência sobre a saúde mental é negligenciar um dos principais fatores de adoecimento psíquico.

Por que não podemos ignorar os impactos da saúde mental no trabalho

Saúde mental no trabalho vai muito além do bem-estar subjetivo. É uma questão estratégica para a produtividade, retenção de talentos, engajamento e sustentabilidade das organizações. Pessoas emocionalmente exaustas tendem a se afastar com mais frequência, têm desempenho reduzido, cometem mais erros e se desconectam da missão da empresa.

Alguns Dados Alarmantes sobre Saúde Mental no Trabalho

  • A depressão é responsável por 4,3% da carga global de doenças e representa 11% de todos os anos vividos com incapacidade no mundo, sendo uma das principais causas de afastamento do trabalho — especialmente entre as mulheres.
  • Pessoas com depressão ou esquizofrenia têm de 40% a 60% mais chances de morrer precocemente, principalmente por doenças físicas não tratadas, como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Isso revela a negligência com a saúde integral de pessoas adoecidas mentalmente, inclusive no contexto laboral.
  • No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais foram a terceira maior causa de afastamentos pelo INSS em 2023. Além dos impactos financeiros, há danos profundos à cultura organizacional: ambientes tóxicos favorecem a rotatividade, o boicote silencioso, conflitos interpessoais e um clima emocional marcado por medo e insegurança.
  • A OMS reforça que ambientes de trabalho desorganizados, com excesso de demanda, baixa autonomia e ausência de apoio, são determinantes no desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e burnout.
  • O custo global dos transtornos mentais, somando produtividade e cuidados médicos, já ultrapassa US$ 1 trilhão por ano. Em alguns países, existem apenas dois profissionais especializados para cada 100 mil pessoas. No Brasil, houve um aumento de 134% em afastamentos por saúde mental no último biênio.

A NR-01, em sua atualização mais recente, destaca que os riscos psicossociais devem ser identificados e gerenciados pelos empregadores como medidas para a proteção da saúde das pessoas.

Negligenciar a saúde mental no ambiente corporativo é ignorar uma das maiores causas de adoecimento, prejuízos e quebra de confiança nas lideranças. O silêncio custa caro — em dinheiro, em vidas e em propósito.

Saúde mental no trabalho: discurso ou prática nas empresas?

Muitas empresas promovem campanhas no Setembro Amarelo, mas mantêm rotinas e culturas que adoecem silenciosamente. O artigo Considerações sobre Trabalho e Suicídio mostra como o silenciamento e a culpabilização individual são comuns após casos de suicídio no ambiente corporativo, evitando responsabilizar a cultura organizacional.

É recorrente encontrar empresas que, diante do adoecimento de uma pessoa colaboradora, atribuem o problema unicamente à vida pessoal, ignorando fatores como jornadas excessivas, metas inalcançáveis, pressões hierárquicas e a ausência de espaços seguros de escuta.

A cultura do desempenho a qualquer custo, a competitividade interna e a exigência de disponibilidade constante são práticas que precisam ser urgentemente revistas.

Outro ponto crítico é a negligência diante do sofrimento não verbalizado. Nem todo sofrimento emocional é comunicado com palavras — muitas vezes, ele se manifesta em queda de desempenho, afastamento dos colegas, irritabilidade ou absenteísmo. Um ambiente verdadeiramente cuidador precisa estar atento a esses sinais.

O que a OMS recomenda para proteger a saúde mental no trabalho?

No documento Guidelines on Mental Health at Work, a OMS apresenta 13 diretrizes embasadas cientificamente para orientar as empresas na promoção da saúde mental. Entre elas, destacam-se:

  • Intervenções organizacionais: revisão das cargas de trabalho, melhora da comunicação, incentivo à autonomia e criação de ambientes inclusivos;
  • Capacitação de lideranças: formação para escuta ativa, acolhimento humanizado e identificação de sinais de esgotamento;
  • Retorno ao trabalho pós-afastamento: planos estruturados de reintegração;
  • Prevenção ao estresse ocupacional: programas de mindfulness, flexibilização de jornada e espaços de escuta;
  • Combate ao estigma: fomentar uma cultura onde buscar ajuda não seja visto como fraqueza.

É fundamental lembrar que saúde mental não se resolve com ações simbólicas como aplicativos de meditação ou frutas na copa. Embora úteis, elas não substituem a reestruturação do trabalho: com expectativas realistas, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e uma cultura organizacional baseada em segurança psicológica.

Veja também:  

O papel do RH e do T&D na mudança de cultura

A transformação da cultura organizacional pode começar pelas áreas que moldam comportamentos e estratégias como o RH e o T&D. Mais do que áreas de apoio, essas equipes são protagonistas na construção de ambientes emocionalmente seguros.

Ao direcionar investimentos, capacitações e políticas para o cuidado com as pessoas, essas áreas definem os valores que sustentam uma organização. Afinal, uma cultura que valoriza a saúde mental não nasce espontaneamente — ela é construída diariamente, por meio de decisões conscientes e coerentes.

A mudança precisa ser sistêmica, e o RH e o T&D podem atuar estrategicamente com ações como:

RH:

  • Elaboração de políticas institucionais claras de saúde mental;
  • Implementação de protocolos de escuta, acolhimento e encaminhamento, com sigilo e empatia;
  • Realização de pesquisas de clima com indicadores emocionais;
  • Criação de comitês ou grupos de escuta com participação ativa da liderança;
  • Inclusão da saúde mental nos indicadores de sucesso organizacional;
  • Estímulo a pausas reais, férias respeitadas e desconexão fora do expediente;
  • Disponibilização de apoio psicológico via convênios, parcerias ou reembolsos.

T&D:

  • Capacitações em empatia, escuta ativa e liderança humanizada;
  • Programas sobre bem-estar emocional, inteligência emocional e regulação do estresse;
  • Desenvolvimento de soft skills relacionadas ao autocuidado, colaboração e relações saudáveis;
  • Ações educativas contínuas sobre diversidade, inclusão e respeito às individualidades.

Empresas como a Unilever e a Cervejaria Heineken já colocam o bem-estar no centro de suas estratégias. A Unilever, com o programa Employee Health and Wellbeing, e a Heineken, que possui uma diretoria dedicada à felicidade corporativa, demonstram que cuidar de pessoas é, também, cuidar dos resultados.

Lembre-se: qualquer iniciativa é melhor que nenhuma. Mas ações isoladas, sem continuidade, não transformam. A consistência da cultura é o que define o impacto.

VIVER: Solução para Saúde Mental Corporativa na Prática

Durante o Setembro Amarelo, é essencial que as empresas não apenas falem sobre saúde mental, mas ofereçam caminhos concretos para transformar a realidade emocional de suas equipes.

A Jornada VIVER é uma solução da LEADedu voltada a líderes e não-líderes, com foco no desenvolvimento de competências emocionais e na criação de ambientes de trabalho mais humanos.

Trilha para líderes:

  • Regulação emocional e manejo do estresse;
  • Comunicação empática e escuta ativa;
  • Liderança ética e humanizada;
  • Promoção de diversidade, inclusão e segurança psicológica;
  • Criação de ambientes emocionalmente seguros.

Trilha para não-líderes:

  • Autoconhecimento e autorregulação emocional;
  • Relações interpessoais saudáveis;
  • Comunicação consciente;
  • Gestão do tempo e prevenção do esgotamento;
  • Práticas coletivas de bem-estar e colaboração.

Ambas as trilhas oferecem conteúdos práticos, materiais de apoio, dinâmicas interativas e indicadores para mensurar resultados. É uma abordagem que vai além da sensibilização: capacita para a ação.

Promova Saúde Mental no Trabalho com a LEADedu

Iniciativas como a Jornada VIVER podem ser o ponto de partida para empresas que desejam sair do discurso e assumir a responsabilidade de construir ambientes emocionalmente sustentáveis.

Porque cuidar da saúde mental das pessoas não é pauta exclusiva de setembro — é um compromisso diário.

Fale com nossa equipe e saiba como implementar essas soluções na sua empresa.

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